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Capítulo 1 – Introdução

Vou colocar aqui um mini-curso sobre opções, através de uma série de posts, onde pretendo mostrar varias formas de operações, que servem como proteção, como remuneração de uma carteira, e também as especulativas de alto risco.
Começaremos com uma introdução ao assunto.

O que são opções?
São derivativos, ou seja, são produtos que derivam de outros ativos. No nosso caso, trataremos somente de opções de compra de ações, que nada mais são do que o direito de comprar uma ação a um determinado preço até uma data de vencimento, essas opções são conhecidas como “call”. Para que todo direito possa ser utilizado, é necessário que alguém se comprometa com um dever, portanto, toda opção envolve 2 partes, o comprador da opção, que é quem possui o direito de comprar a ação caso deseje, e o vendedor da opção, que é a pessoa que possui o dever de vender a ação ao preço combinado, caso o comprador da opção queira.
Existem também as opções de venda (conhecidas por “put”), porém sua liquidez no Brasil é pequena, o que dificulta a montagem de algumas operações, e por isso, não vamos falar delas por enquanto.

Exemplo: uma opção PETRL26 significa “o direito de comprar uma ação PETR4 até a 3ª segunda feira de dezembro, pelo preço de R$ 26,00”, não importa qual o valor da PETR4 até essa data, o detentor da opção, terá o direito de comprá-la por R$ 26,00, e o vendedor da opção, terá a obrigação de vendê-la à esse preço.

Decodificando o nome das opções
PETRD30:
PETR = Esta opção diz respeito à ações da PETR4
D = vencimento no mês de abril (janeiro = A, fevereiro = B, março = C, …, novembro = K, dezembro = L)
30 = preço de exercício

Importante: nem sempre o número depois da letra do mês representa exatamente o valor de exercício. Uma PETRI50 pode ter preço de exercício um pouco diferente de 50 (pode ser 49,60 por exemplo) se houver distribuição de dividendos ou JCP. Sempre que houver a distribuição de dividendos ou JCP, o preço da ação é ajustado, e consequentemente o preço de exercício da opção também sofre o mesmo ajuste.

Exemplo: VALEB50, é uma opção de compra de VALE5 com vencimento em fevereiro e preço de exercicio de 50,00 reais. Se após a criação da opção, a Vale distribuir R$ 0,50 por ação em dividendos, então, o novo preço de exercicio da VALEB50 será de R$ 49,50, e não mais de R$ 50,00.

Portanto, sempre verifique isso antes de negociar uma opção.

Preço de exercício: é o valor em que o vendedor da opção é obrigado a vender as ações caso seja exercido pelo comprador da opção.

Data de Vencimento: é a data limite para aqueles que compraram opções exercerem seu direito. Se não exercerem, a opção expira sem valor (mica, vira pó). No Brasil, temos vencimentos de opções mensais, e a data de vencimento cai sempre na 3ª segunda-feira do mês. Se for feriado, cai no 1º dia útil após a 3ª segunda-feira.

É possível exercer a opção antes da data de vencimento?
Existem 2 tipos de opções, as americanas e as do tipo europeu. A opção do tipo americana permite que o comprador da opção exerça o seu direito a qualquer momento até a data de vencimento. Já a opção do tipo europeu, só permite que o comprador exerça seu direito no dia do exercício.

No Brasil, as “calls” (opções de compra) podem ser do tipo americano e europeu. E todas as “puts” (opções de venda) são do tipo europeu.
Mesmo nas opções americanas é extremamente raro ser exercido antes do prazo.

O que significa esse direito?
Levando em consideração a call PETRH40, o comprador da opção PETRH40 comprou o direito de comprar ações PETR4 a R$ 40,00 até a data de vencimento (pois se trata de uma opção no estilo americano).

Se o comprador da opção exercer o direito, o vendedor da opção é obrigado a vender as PETR4 pelo preço combinado.

Já o comprador não é obrigado a nada; ele é que opta por exercer o direito ou não. Quem exerce uma opção de compra é sempre o comprador, nunca o vendedor.

Resumindo, o comprador tem o direito, e o vendedor tem o dever.

Capítulo 2 – Precificação de Opções

Dando continuidade ao nosso mini-curso de opções, hoje vamos falar sobre precificação de opções, ou seja, o que compõe o preço de uma opção, e como chegar no preço teórico de uma opção, para sabermos se o preço atual (preço real, ou preço de mercado) da opção está acima ou abaixo de quanto ela teoricamente vale, com isso conseguimos saber se a opção está subavaliada ou sobreavaliada.

O preço de uma opção é chamado de prêmio, e ele pode ser constituído de valor intrínseco (VI), também conhecido como valor verdadeiro, e por valor extrínseco (VE), também conhecido por valor de expectativa.
O VI só vai existir em opções com strike (preço de exercício) menor do que a cotação atual da ação. E o valor do VI será exatamente a diferença entre o preço da ação e o preço do strike.
VI = Preço da Ação – Strike.
Se o resultado for positivo, temos VI, caso contrário não, não existe VI negativo.

Quando o strike da opção é menor do que o preço da ação, nós falamos que a opção está dentro do dinheiro, e à denominamos de ITM (in the money). Como vimos acima, apenas opções ITM possuem VI.
Quando o strike da opção é maior do que o preço da ação, nós falamos que a opção está fora do dinheiro, e a chamamos de OTM (out the money). Uma opção OTM não possui VI.
A opção que tem o strike mais próximo do preço da ação é chamada de ATM (at the money), ou seja, falamos que é a opção que está no dinheiro. A opção ATM pode ter o strike menor ou maior do que a ação.
Sempre teremos 1 opção que será considerada a ATM naquele momento, e várias opções ITM e OTM.

Já o VE, existe em opções com strike menor ou maior que o preço de exercício, porém, quanto mais ITM e OTM for a opção, menor será o valor do VE, e quando mais ATM for a opção, maior será o VE.
VE é o valor que o comprador está disposto a pagar como valor extra para ter o direito de comprar a ação no tempo futuro ao preço combinado, e que o vendedor exige receber, para vender a ação ao preço combinado. Quanto mais tempo falta para o exercício, maior é o VE. Não faz sentido uma pessoa se comprometer a vender por R$ 50,00 daqui 1 mês algo que hoje vale R$ 50,00, e não cobrar nada por isso. Ou se comprometer a vender por R$ 49,00 algo que hoje vale R$ 50,00 e receber apenas R$ 1,00 por isso, pois nessas condições, ele poderia vender à mercado a ação por R$ 50,00. E para finalizar, também não irá se comprometer a vender a R$ 50,00 algo que hoje vale R$ 49,00 e não cobrar por isso, pois se em 1 mês a ação subir para R$ 51,00, ele terá de vender por R$ 50,00 e não terá recebido nada para abrir mão do lucro potencial. Esse valor extra cobrado é o VE.

O VE é maior nas opções ATM, pois a expectativa e a chance dela ser exercida é grande, uma opção muito OTM tem poucas chances de ser exercída, então, paga-se menos por ela, pois a expectativa dela ser exercida é menor, e por fim, nas muito ITM, a chance dela ser exercida é muito grande, e com isso ela acaba tendo seu prêmio composto praticamente inteiro por VI, se comportando de forma parecida com a ação, esse contexto vai ficar mais claro quando falarmos das gregas logo abaixo.
Para calcular o VE é simples, ele é a diferença entre o prêmio da opção e o VI.
VE = Prêmio – VI.

Como não existe VI negativo, e o VI só existe em opções ITM, quando a opção não for ITM e não tiver VI, todo prêmio da opção será constituido por VE.
Exemplo: para a PETR4 valendo 27,00, temos:
-PETRB22 valendo 5,30 (ITM), sendo 5,00 de VI e 0,40 de VE;
-PETRB24 valendo 3,50 (ITM), sendo 3,00 de VI e 0,50 de VE;
-PETRB26 valendo 1,70 (ITM), sendo 1,00 de VI e 0,70 de VE;
-PETRB28 valendo 0,80 (ATM), sendo 0,80 de VE;
-PETRB30 valendo 0,25 (OTM), sendo 0,25 de VE;
-PETRB32 valendo 0,07 (OTM), sendo 0,07 de VE;
-PETRB34 valendo 0,03 (OTM), sendo 0,03 de VE;
Veja no exemplo acima, como o VE é maior na opção ATM, e vai diminuindo conforme ela fica ITM ou OTM.

O modelo de precificação mais conhecido e utilizado é o Black & Scholes, e ele se utiliza de 5 gregas: Delta, Gamma, Theta, Vega e Rho. Não vou mostrar aqui a fórmula de Black & Scholes, pois sai do escopo do tópico, e não é necessário para o entendimento do conceita das gregas e para fazer boa parte das operações. As fórmulas de Black & Scholes podem ser encontradas aqui: http://pt.wikipedia.org/wiki/Black-Scholes
  
Nós vamos focar apenas nas gregas Delta, Gamma e Theta, pois é possível operar opções apenas com essas 3 gregas, e a Vega e a Rho acabam saindo do escopo do mini-curso. É importante entender o conceito de Delta, Gama e Theta, pois são muito importantes nas montagens e desmontagens das operações, assim como para entender o comportamento da opção.

Delta: é o quanto a opção vai variar de preço para cada R$ 1,00 que a ação variar. É expresso em percentual. Um delta de 50 (0,50) está dizendo que, se a ação variar R$ 1,00, a opção vai variar R$ 0,50, não importa a direção.
Quanto mais ITM a opção, mais delta possui, chegando muito próximo de 100 nas opções muito ITM. Uma opção ATM tende a ter delta próximo a 50. E as opções OTM tendem a ter delta próximos de zero.

Gama: é a taxa de variação do delta, ou seja, quanto delta a opção vai ganhar ou perder ce acordo com a variação da ação. O gama diz quanto de delta a opção vai ganhar ou perder para cada R$ 1,00 de variação da ação, não importando a direção. Um gama de 5 (0,05) diz que se a ação subir R$ 1,00, a opção vai ganhar 5 pontos de delta. Diferente do delta, o gama é maior nas opções ATM, e diminuiu tanto nas OTM e ITM. As opções ATM são as mais explosivas, por terem maior gama, quanto mais gama, mais volátil é a opção, e mais ela pode variar de preço para ambos os lados com velocidade, pois o gama atua como um acelerador do delta.

Theta: está relacionada ao tempo, então é o efeito da passagem do tempo sobre a opção, é expresso em centavos negativos. Um theta de menos 5 (-0,05) significa que a opção irá perder 5 centavos de VE com a passagem de um dia, o Theta só influencia no VE, nunca VI. O theta é maior nas opções com mais VE, e ele não existe nas opções que não possuem VE, ou seja, que possuem apenas VI. As opções ATM são as que possuem maior VE, portanto o theta tende a ser maior nelas, e são as que perderam mais valor em termos absolutos. As opções muito ITM praticamente não tem VE, então o theta é menor. As opções muito OTM, também possuem pouco VE, mas são compostas apenas por VE, e apesar de em termos absolutos o theta ser mais baixo, essas opções são as que proporcionalmente irão perder mais valor pela passagem do tempo. Portanto, quanto mais tempo faltar para o exercício, mais VE a opção terá, e conforme o tempo for passando e o exercício se aproximando, o tempo irá corroendo o VE da opção.

Resumindo, podemos dizer que uma opção:
ATM: possui delta próximo a 50 e um alto gama.
ITM: possui um alto delta, que tende a 100, e um baixo gama.
OTM: possui baixo delta, que tende a 0, e um baixo gama.

 

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